MILLENIUM n. 12 - Outubro de 1998

 

EDITORIAL

Vai sendo oportuno fazer a história do nosso Instituto, embora estejamos conscientes de que o seu tempo de vida ainda não permitirá o distanciamento mais correcto para uma análise independente. Mesmo assim, entendemos ser necessário fazer, desde já, uma recolha sistemática dos dados existentes de forma a resguardá-los das más interpretações feitas à medida das necessidades conjunturais e de interesses menos sérios.

Sendo este o nosso estado de espírito no que concerne à história do Instituto Superior Politécnico de Viseu, podemos, no entanto, reconhecer empiricamente que os seus vinte anos de vida lhe têm permitido um trajecto evolutivo de relevante qualidade, consubstanciado na escolha das nossas escolas por parte dos alunos como primeira opção, da melhoria generalizada das médias de ingresso e do crescente aumento da qualidade científica do corpo docente, traduzida na obtenção de graus académicos (estima-se até finais de 1999 a existência de 54 Doutores e 164 Mestrados), do aumento de cursos, da inquestionável melhoria dos espaços físicos e da conquista das licenciaturas directas na Escola de Educação e das licenciaturas bi-etápicas nas restantes escolas integradas no Instituto (1).

Se a conquista do grau académico da "Licenciatura" pode ser entendida como o primeiro sinal da emancipação científica do Ensino Politécnico em Portugal, de igual modo permite pensar que ela representa um enorme desafio para este subsistema de ensino superior, ou seja, a conquista definitiva de todos os graus académicos do Bacharelato ao Doutoramento.

O ensino politécnico deve formar o seu próprio corpo docente, de forma a imprimir-lhe uma unidade filosófica de funcionamento na perspectiva afirmada por Veiga Simão de que escola que não forma o seu próprio corpo docente é uma escola sem alma e sem espírito.

A conquista do grau de licenciatura constitui, obviamente, um marco significativo no caminho a percorrer para atingir tal objectivo. Mas é preciso não esquecer que tal propósito só se alcançará se este subsistema continuar a trilhar os caminhos da qualidade científica.

 

Prof. Doutor João Pedro de Barros

Presidente do Instituto Superior Politécnico de Viseu

(1)Cf. Lei n 115/97 de 19 Setembro

SUMÁRIO