MILLENIUN n. 8 - Outubro de 1997

 

Editorial

 

O ISPV, primeira instituição de ensino superior público do distrito, foi criado apenas em 1979. A vinte e um anos do início do terceiro milénio!

Situado bem no coração do país, planalto cingido "como um diadema" por montanhas - Estrela, Montemuro, S. Macário, Gralheira, Caramulo, Buçaco, Leomil e Lapa -, estendendo-se para norte até à margem esquerda do Douro já em declives acentuados que são a matriz de um dos vinhos mais famosos do Mundo, o distrito de Viseu assistiu durante muito tempo à drenagem de uma parte substancial da sua população jovem para o estrangeiro e para outras zonas mais privilegiadas de Portugal em busca de trabalho e de riqueza. Os mais bafejados pela fortuna e que aspiravam a uma formação superior tinham de procurá-la para além dos limites regionais. As "mais importantes arestas montanhosas do território português", como lhes chamou o professor Amorim Girão no final da década de quarenta, não constituíram nunca obstáculo intransponível à emigração mas revelaram-se crivos apertados de desenvolvimento, tornados mais visíveis e, por isso, menos toleráveis por quem aqui vive, pela presença material de ensino superior para além destas arestas.

Seria legítimo esperar que a criação, no papel, do ISPV fosse coerente e decididamente apoiada na prática por órgãos de decisão locais e nacionais, em conjugação de esforços com a estrutura dirigente da instituição, mas o tempo tem demonstrado que, salvo algumas muito honrosas excepções, a confluência das acções foi sempre precária, nomeadamente ao nível da criação das estruturas físicas em que uma instituição, qualquer que ela seja, terá que assentar.

Da capacidade de iniciativa da instituição em termos da estruturação e operacionalização dos seus serviços, da vontade de valorização qualitativa dos seus docentes e da sua produção cultural e científica parece ninguém ter dúvidas (com excepção daqueles que são inimigos de tudo).

É justo referir também que o contributo dos dinheiros públicos tem tornado possível a materialização de algumas componentes do todo que o ISPV quer e precisa de ser. Nem sempre, porém, com o ritmo que o Instituto desejaria imprimir. A Escola Superior de Educação está instalada; a Escola Superior de Tecnologia ficará completa no princípio do ano de 1998 quando for inaugurada a terceira fase do seu crescimento. A instalação condigna dos Serviços Centrais e da Escola Superior Agrária, porém, apesar das iniciativas múltiplas da direcção do ISPV, continua por solucionar.

O adágio bem português de que "devagar se vai ao longe", que tradicionalmente tem servido alguns objectivos demasiado conservadores, não serve os interesses de Viseu e da vasta região de que é centro geográfico, político, cultural e educativo. Para o tempo presente da humanidade, aquele em que vivemos, caminhar devagar significa muito simplesmente ficar cada vez mais longe. Do resto do país e do mundo. Torna-se imperativo que as vontades políticas de desenvolvimento local e nacional reflictam e reequacionem com mais pragmatismo e prontidão as questões relacionadas com a educação e com as bases materiais em que ela assenta.

Millenium n.8