editorial

 

São bem conhecidas, pelo menos dos mais atentos, as realidades da educação de nível superior em países europeus com distintos graus de desenvolvimento económico e social, no que se refere ao apoio e ao carinho que as instituições sempre recebem de órgãos públicos (e também privados) locais, regionais e nacionais, traduzidos de formas tão diversas como a simples afirmação consequente de cooperação (o elo da solidariedade), a oferta de espaços para edificação de instalações, a cedência de imóveis bem situados no coração urbano e que, esgotadas as suas funções originais (lugares de culto, conventos, mosteiros, paços, colégios de órfãos, estalagens, prisões, sedes de partidos políticos, até) por força de transformações sociais, económicas, políticas, culturais de toda a ordem, são hoje colocados ao serviço de causas de profunda utilidade para a cidadania.

De igual modo, a realidade de práticas semelhantes, facilmente observável em muitas regiões do nosso país, nomeadamente no interior, complemento do esforço do Estado, tem possibilitado, nomeadamente a nível do Ensino Superior Politécnico, o aprofundamento da ideia democrática da formação dos mais desfavorecidos, e a consequente diminuição de profundos desequilíbrios regionais, como referiu o Senhor Presidente da República na sua recente passagem pelo ISPV.

Na cerimónia de inauguração das obras que concluíram a terceira fase do crescimento da Escola Superior de Tecnologia ficou bem patente a biografia das grandezas e das misérias da instalação do ISPV e das suas Unidades Orgânicas: o esforço, a dedicação e o equilíbrio institucional na simultaneidade da acção educativa, administrativa e de estruturação física dos espaços de formação; a gestão correcta dos dinheiros públicos, tradicionalmente escassos para os anseios, os objectivos e as necessidades; a cooperação estreita de alguns sectores empresariais privados e da rede de escolas públicas locais e regionais; a omissão constante (se não mesmo a hostilização) de órgãos e entidades que, por definição, se encontram, ou deveriam encontrar-se, no centro do percurso para o desenvolvimento.

O ISPV, a caminho de uma frequência global de seis milhares de estudantes, com cerca de quatrocentos docentes e muito para lá de uma centena de funcionários, tem-se revelado um factor decisivo do crescimento urbano e regional, em termos de geração de riqueza, de cultura, de elevação de qualidade de vida.

Na perspectiva de alguns poucos, porém, não tem a pátina do tempo e a tonalidade dourada que a "eternidade" tende a emprestar, frequentemente sem qualquer rigor, a tudo o que se situa para além da memória viva, enfermando assim de pecado original.

Mas não constituirá essa "lacuna" uma vantagem?

SUMÁRIO