MILLENIUM n. 6 - Março de 1997

Editorial

Publicou-se o primeiro número temático da nossa(1) revista Millenium em Junho de 1996, exclusivamente dedicado à Educação Matemática e inteiramente produzido pela Área Científica de Matemática, da Escola Superior de Educação de Viseu.

Apresenta-se agora o seu segundo número temático, desta vez a cargo da Área de Ciências da Educação e sob o título Problemáticas das Ciências da Educação. Com este título queremos significar que, mais que conhecimento feito, apresentam-se-nos problemas, e problemas que se imbricam uns nos outros constituindo uma rede de problemáticas; mais que ciência ou ciências, situamo-nos diante de um conhecimento ainda em construção e em permanente re-construção; mais que com um corpo organizado e estruturado de conhecimentos deparamo-nos com um saber no qual surgem dificuldades de articulação e de organicidade. É neste sentido que se justifica o aspecto gráfico que escolhemos para a capa. Por isso, também poderíamos ter intitulado este número As Ciências da Educação Sob o Signo do Puzzle.

Não é nossa intenção dar uma panorâmica geral das Ciências da Educação ou sequer dos problemas com que se debate e contorce. Seria até ridículo pela desmedida ambição. Limitámo-nos a seleccionar, dentro do campo destas Ciências, algumas questões para nós mais familiares e alguns problemas mais próximos das nossas preocupações profissionais e actuais. É neste espaço, assim entendido, que se insere a secção Problemáticas das Ciências da Educação, a qual, enquanto núcleo temático organizador, veio também dar o seu nome a este número da revista.

E porque a expressão Ciências da Educação remete para um conjunto de saberes polarizados por um objecto comum, a educação, propusémo-nos aceitar todos os textos que, porventura, nos viessem a ser apresentados sob este mesmo tema. É aqui que se integram, com muito agrado e com o nosso reconhecimento, a colaboração da Doutora Ana Paula Cardoso e do Dr. Diogo Polónio. A sua participação, assim como a de Dimíter Yordánov Ánguelov, espontaneamente surgidas, são um contributo e um enriquecimento, que não queremos deixar de registar. Sobretudo porque permitiram também a realização de uma das nossas intenções, a abertura deste espaço a todos os que nele quisessem participar, rompendo, deste modo, as fronteiras estritas desta Área Científica, enquanto área formal de organização funcional da ESEV. A colaboração de Dimíter Yordánov Ánguelov surgirá numa secção a que chamámos, precisamente, Colaborações, não só porque se trata da participação de uma personalidade alheia a esta instituição mas, sobretudo, por causa do tema sobre o qual escreve e que não versa problemáticas da educação mas problemáticas de outra natureza.

Mas quando pensámos este número, desde o início nos propusemos não o restringir a um conjunto de artigos temáticos. Assim, logo cedo, decidimos abrir outras secções que permitissem corporizar o nosso projecto tal como o concebemos. Claro está que a concretização de algumas das nossas ideias nem sempre foi possível, por condicionalismos vários e razões diversas. Como sempre, a realização fica muito aquém da intenção...

Um dos nossos pontos de honra era que todos os docentes desta Área Científica participassem, com algum tipo de produção, neste número a nosso cargo. Para além disso, gostaríamos também que os nossos alunos, os alunos da ESEV, tivessem oportunidade de colaborar na sua construção . Foi nesse sentido que perspectivámos duas secções que agora aparecem sob os títulos Histórias de Vida e A Nossa Selecção. A primeira constituir-se-ia como um espaço, aberto a todos, professores e alunos, que nele poderiam contar as suas histórias de vida profissional ou académica. A segunda apresentar-se-ia como uma oportunidade de falarmos de um livro, de uma instituição, de um filme, de um acontecimento... que, por esta ou aquela razão, nos tivesse tocado. Incluem-se também nesta secção algumas recensões críticas.

Decidimos, ainda, fazer publicar uma comunicação conjunta de docentes desta Área Científica que apresentámos aquando do colóquio internacional sobre Culturas de Aprendizagem que decorreu em Setembro do ano passado em Castelo Branco. Esta comunicação resultou de um trabalho de investigação que tínhamos iniciado e que visava caracterizar a nossa escola. Quem são os nossos alunos? De onde vêm? Para onde vão? E que formação lhes proporcionamos? E como lha proporcionamos? Este trabalho de investigação ainda não se encontra concluído, bem longe disso, e aquela comunicação resultou de uma fase ainda exploratória do projecto. Intitulámos esta secção: Investigando....

Os Nossos Convidados é uma outra secção na qual resolvemos apresentar entrevistas que fizemos a algumas personalidades conhecidas do mundo da educação ou a ela ligadas. Escolhemos como nossos convidados: o Professor Doutor Mariano Gago, na sua qualidade de Ministro da Ciência e Tecnologia, cujo Ministério também tutela a investigação científica; A Doutora Maria do Carmo Clímaco que era, naquela altura, Vice-Presidente do Instituto de Inovação Educacional, entidade que igualmente promove investigação científica, sobretudo no campo das Ciências da Educação, e à qual estão cometidas outras tarefas nomeadamente a nível da Reforma Curricular, a nível da avaliação ou até no que diz respeito a programas, como é o caso do programa para a disciplina de Desenvolvimento Pessoal e Social; e, finalmente o Professor Doutor Albano Estrela na sua qualidade de recém-eleito Presidente da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação, a qual se constitui, entre nós, como comunidade científica de referência neste domínio.

Já vai longo este editorial que se quereria breve, mas a necessidade de apresentar este número, de fazer uma introdução geral ao que nele aparece e de dar algumas explicações que o tornem inteligível, assim o exige.

A certa altura, apercebemo-nos que a revista iria sair, sensivelmente, numa data que coincidiria com as comemorações do 14 Aniversário desta Escola Superior de Educação. Associando-nos aos festejos deste aniversário e deles fazendo eco, quisemos aproveitar esta ocasião para procedermos a uma apresentação da escola e, sobretudo, das suas Áreas Científicas. Foi nesse sentido que pedimos a colaboração de todas as áreas científicas desta instituição.

Para concluir, não podemos deixar de aproveitar este momento para agradecer a todos quantos ajudaram a construir e a realizar este projecto, dando sugestões, colaborando de distintas formas, partilhando connosco este caminho, apoiando e incentivando para ultrapassarmos as dificuldades que sempre se perfilam.

Queremos expressamente deixar aqui o nosso mais vivo agradecimento:

- Ao Exm Senhor Presidente do Instituto Superior Politécnico de Viseu, Prof. Doutor João Pedro de Barros, a quem solicitámos, à última hora, a sua participação neste número, e que logo se prontificou a prestá-la, mesmo no curto prazo de tempo de que dispôs.

- Ao Doutor Vasco Cunha, Director da revista, pela sua imensa simpatia e pela total disponibilidade que sempre nos demostrou; ainda pelos seus sábios conselhos e sugestões, pela sua palavra inteligente, pela confiança e amizade que nos dispensou.

- A todo o staff do Departamento Cultural e, especialmente, àqueles com quem mais directamente trabalhámos, a Dr. Sónia Silva, o Dr. Paulo Medeiros e a Maria da Conceição Duarte Pereira, pelo seu intenso trabalho, pelo seu interesse e cuidado permanentes, pelas suas sugestões.

- Um agradecimento a todas as Áreas Científicas da ESEV que responderam ao nosso convite e connosco colaboraram.

- Aos nossos convidados, que aceitaram dispensar algum do seu precioso tempo, sempre tão ocupado, para nos atender.

- À Doutora Ana Paula Cardoso que, não pertencendo formalmente à nossa Área Científica, nos prestou a sua colaboração.

- Agradecemos ainda a participação de outras personalidades que, de moto próprio, se prestaram a colaborar, como é o caso do Dr. Diogo Polónio ou de Dimíter Yordánov Ánguelov.

- Finalmente, um agradecimento muito sentido a todos os meus colegas da Área Científica de Ciências da Educação pelo seu empenhamento e pela enorme sobrecarga de trabalho que sofreram para que este projecto se tornasse real e pudesse vir a lume na data prevista. Sem o seu esforço e comprometimento isso não teria sido possível.

Maria de Jesus Fonseca

Coordenadora da Área de Ciências da Educação

(1) Perdoem-nos este nossa. Com ele apenas queremos significar o carinho e o orgulho que todos temos na nossa revista. Mas também quero significar uma grande ligação afectiva que, desde o seu nascimento, com ela mantenho.

Mas com esse nossa, não quero significar, evidentemente, um narcísico olhar de nós para nós ou de dentro para dento. A atitude é exactamente a contrária e supõe abertura, diálogo, troca, partilha... por isso, no pleno sentido da palavra, esta revista é nossa, enquanto este nossa inclui o vossa.

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