MOBILIDADE DE DOCENTES ERASMUS NO ISPV

 

Datam de 1993 as primeiras experiências do Instituto Superior Politécnico de Viseu no programa comunitário ERASMUS, nomeadamente no que diz respeito à organização da mobilidade de estudantes e projectos de desenvolvimento curricular conjunto. Inicialmente limitados a uma área científica e a três instituições de ensino superior, os fluxos encontram-se hoje substancialmente enriquecidos, envolvendo quase todos os departamentos das três escolas integradas e abrangendo inúmeros países e instituições novos.

Pela primeira vez, em 1997/98 foram organizadas actividades de mobilidade de docentes de curta duração, na perspectiva do ISPV um projecto a intensificar e diversificar, dado o impacto estrutural que o mesmo certamente terá nos seus esforços de internacionalização. Nesse mesmo ano foram três os docentes a beneficiar desta iniciativa: um do Departamento de Português da Escola Superior de Educação e dois do Departamento de Gestão da Escola Superior de Tecnologia. Por períodos de uma semana, cada um deles levou a cabo uma missão de ensino de curta duração. A primeira docente referida no "Institut de Formation de Maîtres de l'Academie de Poitiers" (França) e os dois últimos no "Technological Institution of Messolonghi (Grécia).

Ao longo dessa semana, cada um deles, na sua área específica, procurou levar um pouco da realidade portuguesa até aos estudantes e docentes da instituição anfitriã, promovendo frutíferos intercâmbios científicos, culturais e mesmo pessoais e o bom relacionamento institucional, que não se limita a este tipo de actividade. Mutuamente enriquecedoras, estas experiências são prova do valor acrescentado que representa a abertura institucional às realidades nacionais e internacionais.

Ana Branca de Carvalho foi uma das docentes participantes. Na sequência da sua estadia em Messolonghi, onde desenvolveu a sua actividade no domínio dos "Recursos Humanos", deixou-nos alguns apontamentos sobre a sua experiência. O país, a cidade, o ensino superior e as actividades desenvolvidas mereceram de Ana Branca as conclusões que a seguir transcrevemos:

Há pedras habitadas

Pássaros que não migram só para

não sofrerem a partida.

Esperam então um ano a fio

Pelo regresso dos companheiros...

in " Os Sons Parados" (João Habitualmente) A Grécia

O território Grego caracteriza-se por um relevo montanhoso ,complexo e fragmentado no continente, o que se complementa com um grande número de terras insulares que dessiminam o seu território por uma ampla área.

Dada a abundância de mão de obra que as actividades económicas locais não puderam absorver, fruto do crescimento demográfico, e ao abandono das actividades agrárias, o Modelo de Desenvolvimento grego, é por isso, caracterizado pela acentuação do desequilíbrio interno demográfico e económico, por uma estrutura industrial tradicional e pouco desenvolvida, e por uma dependência crescente face ao exterior nos sectores industriais modernos dominados pelos investimentos estrangeiros.

A agricultura e a pesca continuam a ser as actividades base deste país.

No que se refere ao sector das comunicações, a Grécia possui uma larga história no campo da navegação, dispondo de uma importante frota mercante que constitui uma fonte fundamental de divisas. A maior parte do comércio marítimo Grego passa pelo porto do Pireu, a que se seguem, a nível de importância Salónica e Patras.

Mas é a expansão do turismo o factor que mais contribui para a diversificação das actividades económicas.

A estes atractivos cabe acrescentar a acessibilidade económica, dada a debilidade de unidade monetária.

Apercebe-se a intenção e a grande vontade de pertencerem ao grupo de países a alinhar no pelotão da moeda única.

Questionam-se os gregos pelo facto de termos conseguido superar dificuldades que eles, pese embora o grande esforço já despendido, não lograram ainda ultrapassar.

 

Messolonghi

Messolonghi ou Mesologi, cidade grega situada no sul da Península Grega, região de Sterea Ellos, ladeada pelas ilhas Jónicas, é considerada um Mausoléu, uma cidade Santa, pois aí repousam os restos mortais dos heróis que, contra o domínio Turco, travaram grandes batalhas.

Na senda dos "Philosophos" cultivam as "Artes" e a "Sophia".

São imensas as similitudes com o povo português, não só pela afabilidade no trato como também pelo facto de se sentirem vocacionados para os sectores piscatório e agrícola.

Ao sul da Tessália, a Grécia central - Sterea Ellas - está marcada pela expansão económica e industrial do núcleo Ateniense.

A agricultura está hoje dotada de um moderno e mecanizado sistema de irrigação e a produção, cada vez mais diversificada, tem vindo a orientar-se progressivamente para o abastecimento dos mercados.

Mesologi está muito dependente de Patras, grande porto marítimo, sendo esta a 3 cidade do país com mais população.

A sua Escola de Ensino Superior - o TEI ("Technological Educational Institute") - trouxe à região um desenvolvimento a todos os níveis,. Contestado por uns, aceite por outros, a inserção dos alunos no meio faz-se pacífica e ordeiramente. Os universitários dispõem de bolsas de estudo que lhes permitem pagar o alojamento e a alimentação, sendo este grau de ensino completamente gratuito.

O Contexto do Ensino Superior

A Grécia, berço das universidades, ainda hoje na senda da "Philos Sophia", reconhece o papel que o ensino superior assume como pólo de cultura e de desenvolvimento económico-social, considerando prioritária na vertente educacional a criação de condições para a institucionalização deste nível de ensino, designadamente nos domínios da técnica e da gestão.

A maior fatia do orçamento do Estado está afecta à Educação, seguindo-se a Defesa do Território, desde sempre uma das preocupações dos gregos.

No entanto, a crescente preocupação com a internacionalização dos sistemas de educação e de formação na Grécia, tem levado à concretização de programas de cooperação com outros Estados, ao abrigo de acordos culturais bilaterais, sobretudo através de diversas instituições e organizações internacionais que desenvolvem trabalhos nestas áreas, em especial a União Europeia, o Conselho da Europa, a UNESCO e a OCDE.

A mobilidade no sector educativo, quer no corpo docente quer no discente, contribui a um nível mais próximo e imediato para essa internacionalização - do ponto de vista técnico, com os meios e recursos utilizados - e para a aceleração da globalização da economia, a aproximação e o encontro de culturas, o avanço científico e o desenvolvimento sustentado.

A educação é indubitavelmente uma das áreas onde numerosas vitórias podem ser conseguidas e projectos como estes são prova que o grande objectivo de proporcionar o intercâmbio de novos métodos de ensino no espaço europeu é não apenas possível mas também, e sobretudo, profícuo..

Na senda do art. 126 do Tratado de Maastricht (1992), que consagra a educação e formação como áreas de intervenção comunitária, resultante da estreita cooperação entre os Estados Membros, e na perspectiva do princípio da subsidiariedade, teremos finalmente a concretização da "Sociedade do Conhecimento" .

Áreas de Intervenção - Actividades desenvolvidas

O aproveitamento das relações já estabelecidas entre o Instituto Politécnico de Viseu e o TEI de Messolonghi permitiu que a integração dos docentes fosse concretizada.

As afinidades entre a Grécia e Portugal fomentaram o gosto pela análise, quer a nível financeiro, quer a nível de recursos humanos.

Foram várias as reuniões com docentes e empresários.

Promoveram-se encontros com os estudantes e analisou-se a realidade portuguesa estabelecendo-se elos de ligação entre os dois países.

Foram ainda cedidos à biblioteca do TEI alguns livros que, de um modo exaustivo, versavam sobre as várias regiões de Portugal, com especial relevo para as questões etnográficas.

Durante os períodos de apresentação foram utilizados vários acetatos que nos ajudaram a explicar os esquemas de que nos íamos socorrendo.

Analisaram-se métodos viabilizados em Portugal no que concerne a estágios e inserção na Vida Activa.

Na mesa redonda com os vários empresários da região, expuseram-se as dificuldades sentidas e a demasiada teorização dos cursos leccionados. Deu-se relevância à forte responsabilidade que o meio empresarial tem relativamente aos alunos do Ensino Superior.

As duas áreas que nos propusemos abordar tinham, fundamentalmente, um sentido económico e organizacional.

Debatemo-nos, hoje em dia, com o flagelo do desemprego e com a falta de formação dos nossos operadores, daí a necessidade de abordarmos temas que não fizessem parte dos seus planos curriculares.

Os Recursos Humanos têm cada vez mais articulação com o factor produtivo, sendo vectores que, dentro de uma organização, não se podem dissociar.

A) - Na área de Recursos Humanos, estabelecemos os seguintes objectivos:

 

(principais pontos abordados nas intervenções)

1 - Contribuir para a criação de um ambiente necessário à inovação;

2 - Facultar a reorganização dos Recursos Humanos e rentabilização dos recursos materiais;

3 - Formar e qualificar quadros médios e superiores necessários ao desenvolvimento da país;

4 - Desenvolver a relação Qualidade/Emprego.

Atendendo ao facto de que as empresas não actuam no vácuo e se inserem num meio envolvente, procura-se apelar para o desafio de Gestão, visando encontrar o equilíbrio frágil entre a adaptação necessária a pressões e exigências do meio envolvente e a manutenção da coesão e eficácia do sistema organizacional.

Compete, essencialmente, à função de Gestão detectar os desafios que se colocam a cada empresa e mobilizar os recursos humanos existentes para lhes fazer face.

A importância da Gestão da Qualidade, em termos de principal desafio que se coloca actualmente às empresas portuguesas, reside na variável Qualidade/ Preço.

A Qualidade deverá ser encarada na óptica de um produto resultante da interacção entre o sistema de produção e os comportamentos dos operadores, bem como sendo a principal ponte entre a Empresa e os seus Mercados.

Este processo exige uma mudança radical só ao nível da estrutura da cultura empresarial e dos estilos das chefias habituais.

Numa estratégia de mudança é necessário passar de uma filosofia de "direcção de pessoal" para uma perspectiva de "direcção de recursos humanos".

É importante perspectivar e representar a política de gestão e as estratégias dos trabalhadores face às Empresas.

Concluiu-se, desta forma, que o sistema de ensino superior deverá ter a apetência e a capacidade para formar e qualificar, de molde a poder dar resposta e absorver cada vez maior quantidade de estudantes que procuram este nível de ensino, e fomentar o desenvolvimento de áreas prioritárias para o crescimento do país, sobretudo através de parcerias com o sector empresarial.

É preciso, no entanto, evitar e combater a pulverização de pequenos projectos de impacto diminuto, e formar estratégias adequadas para facilitar a disseminação de resultados.

A unidade e a diversidade do mundo mediterrânico, encruzilhada e fronteira, constituem uma variável imprescindível no estudo do espaço europeu. Se o mediterrâneo foi berço privilegiado da cultura ocidental, hoje continua a ser um espaço internacional em crise permanente, cuja evolução tende a alastrar por todos os continentes.

SUMÁRIO