E U R A S H E

Estudos sobre a participação do sector extra-universitário no Programa

ERASMUS.

 

Nos países membros da UE, em 1992, e nos da EFTA (European Free Trade Association), em 1993, a Eurashe levou a cabo estudos sobre a participação do sector extra-universitádo no programa Erasmus.

Os dados recolhidos mostraram a existência de uma subrepresentação significativa do sector no programa Erasmus, tendo a Eurashe concluído pela necessidade de realização de acções tendentes a estimular a participação das instituições e a remover as barreiras limitadoras dessa subrepresentação.

Como resultado das discussões 'entre a Eurashe e a TFHR (Task Force Human Resources, Education, Training and Youth) sobre a situação descrita nos doís relatórios (UE e EFTA), a Eurashe foi convidada pela Comissão Europeia a apresentar uma proposta de trabalho. Ela surgiu sob a forma de Companha de Informação, destinada a "divulgar informação sobre as possibilidades de participação em actividades de cooperação inter-institucional no ensino superior" e a "reunir sugestões para melhorar os programas existentes".

Da fase de preparação da campanha distinguem-se duas acções fundamentais: um estudo detalhado que conduziu à selecção dos países e dos grupos alvo (um dos países escolhidos tendo sido Portugal); a nomeação de uma equipa de especialistas.

A campanha propriamente dita iniciou-se em 1994 com uma conferência realizada em Kavala (Grécia) em 17 - 18 de Fevereiro, a que se seguiram as conferências de Senãjoki e Kuopí (Finlândia), Viborg (Dínamarca), Telemark (Noruega), Gent (Bélgíca), Dublin (Irlanda), Amersfoort (Holanda), Porto e Lisboa (l6 - 17 de Junho, 1994), Londres (Reino Unido), em 24

de Março de 1995.

Dos resultados de campanha salientamos:

1. A necessidade de tomar os programas comunitários menos rígidos e burocratizados, nomeadamente no que se refere à duração fíxa de estudos no estrangeiro;

2. A necessidade de implementar a reciprocidade, demonstrada, como foi, a existência de uma maior propensão dos estudantes europeus pelo chamado "golden triangle" (triângulo dourado), constituído pelo Reino Unido, a Alemanha e a França, atraídos sobretudo pelo factor língua, colocando, assim, em desvantagem os países do sul do continente, a Bélgica, a Dinamarca e a Holanda;

3. A urgência da definição de política tendentes a uma maior divulgação das línguas menos valorizadas no contexto europeu;

4. A necessidade, sobretudo nas instituições mais pequenas, da existência de orçamentos para as relações internacionais que permitam a formação de staffs especializados;

5. A imprescindibilidade da existência de informação disponível numa linguagem acessível, não característica dos documentos da UE.

De entre as conclusões e recomendações da Eurashe deverão salientar-se as que se referem:

1. À informação:

* necessidade de existência de dados disponíveis sobre as instituições de ensino superior na Europa;

* utilização de uma linguagem clara nos documentos de trabalho;

* definição unívoca de critérios nos programas de acção.

2. Aos planos estratégicos:

* organização dos curricuia; formação do pessoal docente; administração;

* preparação dos alunos (no país de origem e no de destino), sobretudo em termos linguísticas e culturais; -

* preparação da recepção dos alunos estrangeiros;

*coordenação de actividades para os alunos que não se movimentam na comunidade.

3. À adaptabilidade de programas, criticando-se:

*a falta de flexibilidade na duração dos períodos de mobilidade e nas possibilidades de cooperação com as instituições do sector produtivo;

* a extrema burocracia que envolve a sua implementação.

4. Aos Instrumentos:

*Criação de cursos e de materiais de apoio para as línguas menos conhecidas na Europa;

* aumento do número de bolsas para a mobilidade e dos seus quantitativos;

* maior apoio à mobilidade de docentes, considerada mais eficiente do que a mobilidade estudantil;

* preparação de pessoal administrativos,

* criação de programas intensivos

* mais intensas ligações com a vida económica.

* alargamento e aprofundamento da cooperação em programas ECTS (Sistema Europeu de Transferência de Créditos).

 

V.C.

 

FONTE:

*BRIDGING THE DIFFERENCES - Report on the information Compaign executed by Eurashe on behalf of the European Comission. October 1993 - March 1995. Eurashe. Brussels, May 1995.

SUMÁRIO