CULTURA CIPRIOTA

A imensa riqueza da memória cultural da "ilha do cobre", como Chipre era conhecida na antiguidade, impõe critérios de selecção sempre discutíveis a quem, dispondo de um pequeno espaço, a ela queria fazer referências. Fizemos a opção por dois lugares que, genericamente, testemunham culturas distintas, separadas no espaço e no tempo, mas que poderão dar a conhecer, ainda que de forma fragmentária, a biografia cipriota - Paphos e Nicosia.

 

PAPHOS

Conhecida na antiguidade como Nea Paphos, capital de Chipre greco - romana, e hoje considerada Património Mundial da Humanidade pela UNESCO, a cidade, localizada num pequeno património no sudoeste da ilha, é hoje um importante centro de turismo internacional, constituindo o seu clima quente e seco e as suas praias uma motivação forte, sobretudo para viajantes do norte e do centro da Europa.

Dois edifícios públicos da cidade antiga, já estudados ou cuja existência está bibliograficamente atestada, destacam-se: uma Ágora, um Teatro, um Anfiteatro, um Odeon e um Askleipieion; templos dedicados a Afrodite (Chipre é conhecida também como a ilha desta deusa), Artemisa, Apolo, Zeus, Leto, e, provavelmente, Dyonisos.

O principal centro de interesse da Paphos antiga é, porém, constituído por um grupo de quatro monumentos, três deles conhecidos por "Casas" (de Dyonisios, de Teseu e de Aion) e o quarto por Villa de Theseus, com muitas das suas inúmeras salas pavimentadas com mosaicos de uma beleza ímpar, documentos preciosos para o estudo da interligação do real e do mitológico do povo que os construiu.

 

NICOSIA (Gr. Lefkosia)

Capital da República, situada no centro da planície da Mesaoria, Nicosia expandiu-se para o exterior das muralhas venezianas construídas para suster os invasores turcos em 1570, sendo actualmente a maior cidade do país, com 175.000 habitantes.

Centro cultural de importância no Mediterrâneo Oriental, merecem referência particular a Porta de Famagusta, no passado a principal entrada para a cidade, local de exposições, conferências, espectáculos de teatro, concertos; o Museu de Chipre, com uma importante colecção de descobertas arqueológicas provenientes de toda a ilha e que, de algum modo, tem contribuído para estancar a saída ilegal da ilha de uma riqueza do passado que tem engrossado colecções privadas e públicas em países distantes; o Museu Bizantino, com uma colecção única de ícones de Bizâncio; o Museu da Luta Popular, que reúne uma extensa colecção de documentos e de armas utilizadas durante o conflito da EOKA com o poder colonial britânico em 1995; o Teatro Municipal, edifício moderno construído com linhas clássicas; o Palácio do Arcebispo, uma construção de estilo veneziano e residência oficial de Makarios, primeiro Presidente da República. Entre outros.

Entre documentos vivos da Nicosia actual, a Praça Eleftheria, ruidosa e congestionada por um tráfico sempre caótico, e o Bairro Popular (Laiki Yitonia), de ruas estreitas e edifícios restaurados e renovados, com os seus restaurantes e tavernas, boutiques e oficinas de artesanato, uma reconstrução harmoniosa da Nicosia dos anos vinte. Bem próximo, num quarteirão mais a norte, o documento mais preocupante - o arame farpado, divisão política de solução problemática.

 

V.C.

SUMÁRIO