RETALHOS DE MIM

 

Teresa Isabel Couto Cardoso *

 

 

Decorria o ano de 1973. Numa noite de inverno, vinha ao mundo a menina que um dia quis ser, ou ter, tudo.

Cresceu perto dos seus pais. Não era uma menina mimada. Sempre tímida e muito Sonhadora.

Lembra-se do seu primeiro dia de escola como se fosse hoje e ao mesmo tempo com uma certa saudade ou mesmo nostalgia do que perdeu a partir desse dia.

Mas tudo foi crescendo, e a menina quis ser. Se fosse... queria:

ser médica para curar os meninos e "porque devo tratar bem as crianças";

ser palhaço e trabalhar no "Circo Alegria"... "para fazer rir os meninos";

ser marinheiro para "ver o mar de Lisboa", "fazia uma longa viagem" e "ia até ao Algarve quente";

ser astronauta porque "iria aos planetas todos";

ser príncipe porque gostava de "ser rico e ter muitas jóias" e "se lutasse com os inimigos morreria".

ser professora...

"Gostaria imenso! Mas se tivesse alunos, não gostaria que fossem faladores, brincalhões, traquinas e barulhentos

Também iríamos dar passeios pelos campos (...) dar novas matérias

No final de ano fazíamos uma festa em honra de todos os meus alunos"

A menina ainda escreveu que "a Primavera é a estação mais linda do que as outras (...) os dias são quentes, apetece andar de manga curta e uns totós no cabelo". Meteu D. Afonso Henriques numa história de fantasmas. Achava o cão bom para as pessoas. Quis ter um cavalo branco chamado Pólo. E até ao Pai Natal escreveu.

A certa altura a menina já era "digna" de certas travessuras, como aquela do pionese que colocara no buraco da fechadura, da porta da sala de aula, antes da temida aula de matemática, assombrada pela não menos temida professora, ela que também era responsável pela disciplina do Colégio.

A menina começava a transformar-se. A escola era outra e as travessuras foram mais graves, como a cabeça do colega "Pato" que foi "decorada" com, pelo menos, cinco pontos merecidos pela travessura que o colega havia feito anteriormente. E ainda por um "meter-se onde não devia" houve alguém dessa mesma escola atingido pela "retribuição" da intromissão, só que neste caso foi o braço. Nesta altura abraçava um desporto, que apesar de alguma agressividade, gostava de praticar e que a entrada para o ensino superior não permitiu continuar. Já nesta escola a tal menina meteu o "pé" onde não devia... "segredos de escola". Passado o ano de caloiro é altura de "vingança" da menina brincar e de se divertir mas.... sem esquecer o que um dia escreveu:

"E ainda há mais, e preciso de ensino para o ser".

Essa menina, que ainda é, de seu nome completo Teresa Isabel Couto Cardoso, frequenta o segundo ano de Educação Visual e Tecnológica, na Escola Superior de Educação de Viseu.

Essa menina sou eu.

 

Aproveitamento de "escritos" dos cadernos da instrução primária.

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* Aluna do segundo ano de Educação Visual e Tecnológica da ESEV

SUMÁRIO