Rui Torres de Almeida*
Poema
|
Parti o coração em mil pedaços E lancei-os no jardim do meu quintal Nasceram mil roseiras com mil braços De rosas de perfume universal.
Por que será que dentro do meu peito Sinto o lacerar de mil espinhos Nesse lugar onde pulsou sem jeito Um coração sedento de carinhos? |
Por que será que rio às gargalhadas Destes versos que escrevo no papel, Impulso de mil setas disparadas Nas horas que cavalgo em meu corcel?
É assim que fujo à solidão, Me liberto do peso dos tormentos, Construo um castelo de ilusão E subo mil degraus sem desalentos.
(1982) |
*
Um homem da Beira