Rui Torres de Almeida*
Poeira de Outono
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Conheço três camponesas Que passam na minha rua E têm por missão secreta Levar mil jovens p’rá lua.
Nos muros do meu quintal Cautela, rapaziada! Andam melros espreitando Desde o raiar da alvorada.
Se eu soubesse esculpir, Se eu soubesse pintura, Quantas estátuas eu faria, Quantas telas de ternura.
Quantas pedras de granito Na estrada já percorrida Teriam formas reais, Seriam sopros de vida. |
Se eu soubesse escrever, Dar largas à fantasia, Cem penas não chegariam Para escrever noite e dia.
Quando revolvo, meninas, Nas cinzas do meu coração, Só vejo terra queimada E montanhas de ilusão.
Neste quadro sem cores Desta tela mal pintada, Vai um pacote de sonhos, Uma candeia apagada.
Minhas asas já não batem, Estou no fim da minha rua, Tenho os tamancos cambados, Não posso poisar na lua.
(Setembro de 1981) |
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Um homem da Beira