Quadrante Sul
*Armindo Vaz D’Almeida **
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Éramos por fim chegados ao dia de amanhã sim ao célebre dia de amanhã a esse dia por todos tão querido e tão intimamente ansiado na pausa fugaz e intáctil da cada suspiro
Finalmente o dia de amanhã o tal de todos nós longamente aninhado no fragor silenciado de cada peito para germinar no epicentro da tormenta octaedros finos de luz sem fim e sob a humidade última da terra incendiar o fôlego mais remoto dos corações
Foi então momento de se ouvir Toma camarada e respira meus pulmões se quiseres minhas unhas e meus dentes também meu peito varado de tibiezas o meu todo o meu corpo inteiro e tudo se necessário meu irmão... |
Mas de repente qual malefício de noites mesmo sem noite o dia começou a perder a cor estarrecido frente ao turbilhão de deuses titubeantes e sem altar de astros desorbitados de estrelas navegando sem rumo e vozes reclamando graça aos amanheceres
Hoje no ar entretanto sob a cor ímpia e vertical das trevas persiste monótono e igual o mesmo choro miúdo das crianças e com ele apenas o sopro gentil do vento sul diluindo-se impotente e já sem resposta para alimentar e dar fé ao dia incrédulo quanto á profecia do amanhã. |
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In Noctuno em Laivos de Amor, Herança Cultural, Livros do ISPV, Série A, nº 1, p.53.* *
São Tomé e Príncipe