Em "Perspectivas" fala-se da vida, ou de pequenas fracções dela. De forma mais ou menos densa, mais ou menos leve, e com diferentes graus de formalidade/informalidade. Sem contornos limitadores, esta pequena secção tanto poderá constituir uma simples pausa na informação pedagógica, científica e administrativa como revelar-se fonte de reflexões complexas.

 

ENGENHARIA DA PEDRA

 

Um curso que vai revolucionar o mercado de trabalho,

comércio e exportações

 

ALBANO DE ALMEIDA FERREIRA*

 

Em Viseu existem diversos cursos no ramo das Engenharias, tais como: Ambiente, Mecânica, Madeiras, Electrotécnica, Informática, Indústrias Agro-Alimentares, Hortofrutícola, Civil, etc. Ficou talvez esquecido um dos principais - Engenharia da Pedra!!!

Portugal é um dos países com fortes qualidades e quantidades de granito. A Arquitectura está meia adormecida, o que é pena. Os nossos antepassados construíram monumentos de uma beleza rara sem dispor de tecnologia avançada. Imagine-se o que não se poderia fazer nos tempos modernos! Nos dias de hoje a utilização e modelação da pedra está praticamente posta de lado, recorrendo-se vulgarmente ao uso de betão. As pessoas queixam-se de uma mão-de-obra muito cara, mas até nem é! Se forem feitas as contas ao metro quadrado de betão, bloco ou tijolo, acabam por concluir que a diferença em termos monetários não é muito significativa tendo em conta o aspecto qualitativo. Com a utilização da pedra poupa-se cimento, ferro, cofragem, pintura e até mão-de-obra. Muitas são as pedreiras e fábricas de serração de pedra no nosso país que estão desprovidas de alguém com habilitações nesta área.

As pedras também têm as suas técnicas e é preciso conhecer o "correr" destas para se poderem trabalhar. A pedra tem três tipos de "correr" conhecidos por Levante, Norte e Troço. O levante define-se como a maneira como a pedra racha ou abre melhor. No norte, a pedra racha ou abre com um pouco mais de dificuldade. No caso do troço, a pedra abre ou racha com muita dificuldade. Estes três tipos de "correr" são utilizados pelas pedreiras na extracção da pedra e quem não conhecer esta técnica vê-se impossibilitado de a poder trabalhar. Ao tirar um bloco de pedra da pedreira e fazer o seu respectivo carregamento tem que se marcar o levante para que ao chegar à fábrica de serração possa ser serrado no "correr" certo; caso isto não aconteça, a pedra não apresenta o mesmo resultado, sendo o desgaste das máquinas maior e o rendimento, brilho e qualidades das mesmas menores.

Em Portugal há granito de várias cores, qualidades e diferentes tipos de robustez. Nos tempos passados era escolhido o granito mais macio uma vez que possibilita que melhor se trabalhe; hoje em dia a tecnologia é outra e quanto mais duro é o granito melhor é o acabamento dado às peças dele resultantes, como os pés de pilares ou colunas, balaustres, lareiras, entre outros.

Num país como a Alemanha o sistema tecnológico de maquinaria apropriada para trabalhar a pedra encontra-se tão avançado que se exclui a necessidade de se recorrer a meios artesanais. Em Portugal também já existem boas máquinas mas o trabalho é feito de uma forma muito artesanal ainda e, além disto, há poucas pessoas que saibam trabalhar a pedra. Com as máquinas existentes actualmente é possível fazer polimentos que no passado não se conseguiam efectuar. Nos tempos actuais pode-se fazer com que a pedra pareça um autêntico espelho. As pedras com este tipo de polimento são muito utilizadas em tampos de móveis, bancadas, mosaicos, azulejos, etc.

Como é do conhecimento geral, o granito é praticamente infinito e a sua durabilidade é de muitas centenas de anos, resistindo a todas as condições atmosféricas e apresentando um desgaste mínimo. Tal como a Natureza, o granito pode ser considerado eterno! É pena que esta matéria-prima não venha a ser melhor aproveitada. Tal como o curso de Engenharia das Madeiras existente nesta escola se impôs como embaixador de pleno direito no nosso país face à forte existência desta matéria, também a criação de um curso de Engenharia da Pedra poderia concretizar-se com sucesso, tornando-se também este um curso pioneiro e inovador, capaz de projectar a nossa Região e de fornecer quadros humanos qualificados (actualmente não existentes) para o mercado.

 

* Vigilante da Securitas na Escola Superior de Tecnologia do Instituto Superior Politécnico de Viseu.

SUMÁRIO