TRISTE FELICIDADE DOCE
Deve ser finita a Felicidade porque nela não cabe o finito número de Homens.
Volátil, só ela, desta forma, que sempre se vai quando torna, como um vapor pelo alto iludido.
Tal como a chuva, a sua água turva não molha todos os chãos e depressa se evapora num ciclo constante de finitas doses certas.
Tem um pólo negativo que faz de cada ser um cativo na antecipação da dor.
É um solo relativo, por cada um medido na dimensão de cada ser.
Como o frio, vive abaixo do zero, é um inverso Nero que gela em nós a culpa de vivermos um doce efémero. Como o frio, não é de igual forma sentida e mais arrepia quando não é esperada. |
A Felicidade é erosiva, depois de passar, imprecisa, parte de nós já não fica.
Um turbilhão tonto, o meio de um conto que nos leva a respiração.
É um vento que desgasta em nós, pela força da sua voz, a resistência ao seu inverso. E como um furacão solto, levita sem qualquer esforço a paralisia de um susto.
É uma confluência de energias, a Felicidade, que conspiram contra a liberdade sem o dó e a pena da hesitação.
Uma luz repentina que nos perfura a retina com uma bondade fingida.
Como o relâmpago, não tem consentimento, chega e parte em qualquer momento, e ri-se dos Homens, de todos os Homens, por saber que sem ela tudo é baço e disforme
A Felicidade é, assim, um dia de Inverno escondido no calor de um aparente Verão eterno. Sol?... Como poderia ser? Se não nasce todos os dias E para todos não nasce.
SÓNIA SILVA |