MENINO DE TIMOR

RICARDO PAIS *

 

Estás triste.

Como sofres...

Já não podes falar,

Dizer o que pensas.

Vives rodeado de silêncio e medo,

Apenas vês gente que chora e reza.

Que saudades tens

Da tua aldeia, agora deserta...

Das brincadeiras junto ao riacho

Das cantigas alegres

Que te animavam o corpo.

Hoje, choras perdido

Nos becos escuros.

Tentas esconder-te dessa fera

Que com o seu rugir feroz

Faz tremer o teu corpo...

Com as suas garras aguçadas

Faz de ti presa fácil.

Ninguém a controla.

Ninguém a domina.

Colocou um povo à fome,

A vaguear sem apoio,

Sem alguém que o guie.

Palavras de compaixão

Chegam do outro lado do globo.

Mas ninguém faz nada!

Todos nós sabemos

Que em Timor morre gente

Mas ninguém protesta.

Todos nós sabemos

Que o opressor ilegal

Corrói a alma Timorense,

E apodera-se de um povo

Que não lhe pertence.

E nós, os chamados países civilizados,

Não lhe fazemos frente.

Distribuímos prémios Nóbeis da Paz

Numa tentativa de calar os nossos remorsos.

Exprimimos a nossa mágoa em silêncio

Porque não temos coragem

Para a clamar aos quatro ventos.

Enquanto isso,

Nobres guerreiros morrem

Naquele pedaço de terra.

Rebeldes contra aqueles que os aprisionam.

Tal como nos tempos bíblicos

David enfrentou Golias,

Também hoje o povo Timorense

Faz frente ao gigante chamado Indonésia.

Eu apenas apelo a Deus

Para que o povo Timorense

Não perca a esperança num futuro mais feliz

E que o menino de Timor volte a sorrir.

 

* Escola Secundária Alves Martins, Viseu - 15 anos.

SUMÁRIO