A ESCOLA: Tipo e Objectivos

 

ANTÓNIO PINTO*

Introdução

 

A Escola Superior Agrária de Viseu ( ESAV) foi criada oficialmente no mês de Dezembro de 1994 (Dec. Lei n 304/94). Encontra-se integrada no Instituto Politécnico de Viseu e assume-se, a nível nacional, como uma das mais recentes escolas agrárias do país que, conjuntamente com as outras 7, completa a rede nacional do ensino agrário politécnico em Portugal.

Em nosso entender, o aparecimento da ESAV tratou-se de uma medida governamental adequada, que veio ao encontro das necessidades e aspirações dos jovens e da população em geral de toda esta vasta região beirã que tem como pólo aglutinador a simpática cidade de Viseu. Esta região apresenta enormes e inegáveis potencialidades nos domínios das indústrias agro-alimentares, da produção agrícola e, da produção florestal.

Apesar de já existirem, espalhadas por todo o distrito, algumas centenas de empresas no sector agro-alimentar e inúmeras explorações agrícolas, a maioria das quais vocacionadas para a produção vitícola e frutícola, assiste-se a uma enorme carência de técnicos habilitados e especializados naqueles domínios, por forma a quebrar uma certa inércia existente, no sentido da optimização, quer em quantidade quer em qualidade, dos produtos da região. De acordo com esta linha de pensamento, a ESAV terá que garantir nas áreas do ensino, da investigação e nos serviços de apoio à comunidade, uma prestação adequada, coerente e de grande qualidade técnica e científica, por forma a contribuir, decididamente, para o desenvolvimento social e económico da região.

Assim, a ESAV procurou e procura desenvolver a sua actividade nas áreas referidas de acordo com os pressupostos e objectivos que iremos apresentar de seguida.

1 - Áreas de Ensino

A acção da Escola Superior Agrária de Viseu, no que respeita às áreas de ensino regular que ministra ou virá a ministrar, assenta nos pressupostos seguintes:

1.1 - Adopção de cursos que estejam voltados e orientados para as necessidades específicas da região em que está inserida;

1.2 - Adopção de cursos que traduzam as preocupações e a consciência mundiais no que respeita, quer ao desenvolvimento científico e tecnológico, quer à preservação do ambiente;

1.3 - Adopção de cursos que, de alguma forma, se desviam das áreas clássicas do ensino agrícola e animal tão característico das ESAs;

1.4 - Regular os cursos, em termos de manutenção ou suspensão, não pelo produto final, mas ao nível do substracto Isto é, enquanto houver procura dos cursos por parte dos alunos, estes deverão manter-se, independentemente da saturação ou não do mercado de emprego.

Neste sentido:

A ESAV ministra actualmente o Curso de Engenharia das Indústrias Agro-Alimentares, no qual já se formaram os primeiros bacharéis em 1996, cujo conteúdo disciplinar privilegia o ensino e formação na área da vinificação e da enologia (120 horas), sectores de actividade importantes na região, assim como visa formar tecnólogos habilitados, quer no controlo de qualidade dos alimentos, quer na capacidade de desenvolver e assumir modelos de certificação dos produtos alimentares tradicionais (255 horas);

Ministra também o Curso de Engenharia Hortofrutícola, que se encontra no terceiro ano, em que se privilegia o ensino da viticultura e da fruticultura, não descurando os frutos secos e a horticultura ao ar livre e protegida (445 horas), e com uma grande componente na Protecção Integrada (270 horas), que corresponde a uma área de formação em que a região e o país são muito deficitários;

Por último, ministra o Curso de Engenharia Zootécnica, que se encontra apenas no segundo ano de actividade, no qual se privilegia o ensino da avicultura (210 horas), da inspecção e do controlo de qualidade dos produtos pecuários (300 horas), para além das ciências de base e das zootecnias tradicionais. Este curso visa alcançar os seguintes objectivos:

1- A preparação de técnicos bacharéis em produção animal com uma formação abrangente e integrada capazes de "fazer a ponte" entre o saber fazer a produção agrícola (orientada para a produção de alimentos para os animais) e o saber fazer, em termos da transformação dessa biomassa vegetal em carne , leite e outros produtos, adequando-se assim a sua formação às características da generalidade das explorações agrícolas da região;

2- Dotar os alunos com informação e formação no maneio e na exploração racional de todas as espécies pecuárias com interesse económico;

3- Dotar os alunos com conhecimentos privilegiados no sector da avicultura, que constitui um dos tecidos produtivos mais relevantes na região e que, neste momento, se encontra estagnado por falta de apoio técnico especializado, actual e inovador;

4- Fornecer aos alunos conhecimentos inovadores no âmbito do controlo e inspecção sanitária dos produtos pecuários, a partir da origem, e não apenas no produto acabado, como é apanágio do controlo clássico.

5- Finalmente, objectiva-se com este curso uma grande catálise no desenvolvimento geral do sector pecuário e, em particular, no sector da avicultura na região de Viseu, quer pela formação de técnicos especializados, quer pelo apoio e desenvolvimento experimental que a Escola Superior Agrária de Viseu terá que produzir.

Por último, a ESAV, e sempre que se justifique, quer em termos regionais, nacionais, ou europeus, poderá criar outros cursos, eventualmente nas áreas dos Recursos Naturais e Energias Renováveis, ou na área específica do turismo e lazer: Curso de Turismo Ambiental.

2 - Áreas de Investigação

 

A Escola Superior Agrária de Viseu, como pólo dinamizador do desenvolvimento científico e tecnológico do sector primário da região de Viseu, terá que desenvolver linhas de investigação que se enquadrem nos projectos de I & DT (investigação aplicada/desenvolvimento tecnológico (experimen-tação)) em muitos domínios da actividade agrária e, particularmente, no campo da Protecção Integrada, por forma a que a sua prática se torne segura e adaptada aos condicionalismos regionais. Assim, a ESAV considera como áreas com urgente necessidade de investigação e/ou experimentação ao nível da sua região as seguintes:

-Estudo da bioecologia dos principais inimigos das culturas;

-Estudo da bioecologia dos auxiliares existentes;

-Determinação de prejuízos;

-Experimentação de NEA ou estabelecimento de novos níveis económicos de ataque;

-Experimentação de métodos de estimativa de risco e estudo de novos métodos para a estimativa quantitativa;

-Multiplicação em massa de auxiliares;

-Experimentação da luta biológica;

-Experimentação da luta biotécnica;

-Estudo da herbologia e bioecologia de infestantes;

-Aplicação de novas técnicas culturais;

-Experimentação da solarização do solo;

-Desenvolvimento de modelos previsionais de infecção para as principais doenças.

No sector Agro-Alimentar assumem particular interesse o desenvolvimento de linhas de investigação nos seguintes domínios:

-Melhoramento das tecnologias de fabrico dos produtos regionais de origem animal e vegetal;

-Implementação e adaptação do sistema HACCP nas empresas da região;

-Investigação e desenvolvimento de novos produtos alimentares.

Na Produção Animal deverão desenvolver-se projectos de experimentação nos domínios seguintes:

-Implementação de sistemas integrados de controlo de qualidade nas linhas de produção animal (exp: produção de frangos de carne.);

-Gestão e desenvolvimento de estudos de impacte ambiental;

-Optimização de instalações e equipamentos pecuários.

3 - Serviços de Apoio à Comunidade

 

É forte propósito da ESAV desenvolver serviços de apoio técnico a toda a comunidade do sector primário nas diferentes áreas da actividade agrícola, em particular:

-Protecção de plantas;

-Análises de terras;

-Controlo de qualidade alimentar;

-Verificação e certificação de produtos regionais de qualidade.

Conclusão

 

A Escola Superior Agrária de Viseu procura estar ao serviço da agricultura regional e nacional através de três vectores dominantes: a investigação aplicada, os serviços de apoio à comunidade e o ensino superior agrícola, assumindo este último um papel preponderante na actividade da escola. Actualmente, a formação académica adquirida inclui o grau de bacharelato nos sectores das agro-indústrias, da produção vegetal e da produção animal, não se excluindo a criação de licenciaturas nas mesmas áreas, como decorre, aliás, da recente aprovação das alterações da Lei de Bases do Sistema Educativo. Para finalizar, referir que, em nosso entender, as licenciaturas que, eventualmente, venham a ser implementadas nas Esa's devem obedecer aos atributos seguintes: (i) terem uma duração de 5 anos; (ii) serem reconhecidas como engenharias pelas instituições competentes; (iii) serem do tipo bifásico e invertidas, isto é, assentarem nma estrutura de bacharelato em que nos dois anos terminais se ministrem as disciplinas de base e as propedêuticas, características das engenharias com grau de licenciatura das universidades, por forma a que o ensino politécnico passe a produzir bacharéis e licenciados, mas com um perfil próprio, isto é, que possuam, para além dos atributos normais a qualquer licenciado, a capacidade do Saber Fazer...

* Prof. Adjunto da ESAV

SUMÁRIO