CONSELHO CIENTÍFICO DA ESEV

(ELEIÇÃO)

Decorreu no dia 29 de Abril último a eleição para a presidência do Conselho Científico (C.C.) da ESEV, a que se apresentou, como única candidata, a senhora Professora-Doutora Maria José Cardoso Monteiro de Sá-Correia com uma proposta de trabalho assente nas linhas programáticas seguintes:

"- contribuir para o prestígio da ESEV na comunidade científica, através do incremento e incentivo de participação em projectos nacionais e internacionais de investigação;

- procurar reforçar o prestígio da ESEV na região onde se insere através de uma cada vez maior ligação à comunidade;

- contribuir para a definição de uma política de formação de professores, bem como de um perfil do diplomado da ESEV;

- desenvolver um projecto de apoio aos diplomados pela ESEV, quer na Escola quer nos seus locais de trabalho;

- desencadear o processo para a criação dos Departamentos, de acordo com o artigo n.33.-7 dos Estatutos da ESEV;

- incentivar e promover a interdisciplinaridade através da articulação dos programas das diversas disciplinas de cada curso da Escola".

No acto participaram 78% dos eleitores, tendo Maria José Sá-Correia sido eleita por 59,3% dos votos expressos.

No acto de posse, que decorreu na Presidência do ISPV, presidido por João Pedro de Barros, a nova presidente do C.C., depois de saudar todos os docentes que têm contribuido para a "dignificação do Ensino Superior Público em Viseu e em Lamego", e de recordar a "obra imensa" que o senhor Professor-Doutor João Evangelista Loureiro, já falecido, legou à instituição, referiu que aceitou ser candidata ao cargo com base nos pressupostos de que: "o princípio da alternância é um dos esteios do regime democrático, não implicando qualquer "rotura com o passado", mas devendo conter "elementos de diferença"; "o conhecimento só se pode construir na interacção com os outros e na acção directa que o mobiliza"; "a utilidade do conhecimento dá-nos a perceber o valor da investigação"; "o paradigma crítico-construtivo do saber e do saber fazer só terá razão de existir se encararmos a necessidade da existência de Departamentos que facilitarão a ligação de problemáticas, de saberes, de posturas"; "uma instituição afirma-se pela sua filosofia de formação, e seja qual for essa filosofia, a divisão espartilhada de saberes, que a própria realidade de formação contraria, a nada poderá levar senão ao definhar das atitudes investigativas necessárias a um bom ensino e à criação de futuros profissionais capazes de integrarem novos saberes em quadros de referência de valores e de cultura".

Maria José Sá-Correia salientou depois que "neste fim de século não nos podemos dar ao luxo de viver isolados em casas estanques", salientando que "a transferência que se exige na aplicação dos dinheiros do orçamento, na rentabilização dos recursos humanos e materiais" deve ser também exigida "nos saberes produzidos e na sua aplicação na formação", acentuando que "cada vez mais os projectos de investigação terão de ser, por força dos tempos, inter-áreas e inter-institucionais".

"Como desafio", continuou, "posso lançar a ideia de que em nada me repugnaria, antes pelo contrário, ver os alunos desta Escola escolherem cadeiras de outra Escola para completar a sua formação. Tal desafio teria de implicar, como é óbvio, que os docentes vissem poder melhorar a sua formação trabalhando com colegas de outras Escolas. Não somos, todos nós, afinal, docentes do Instituto Superior Politécnico de Viseu? Se o primeiro desejo implica a definição de uma filosofia de formação de futuros profissionais, o segundo implica uma resolução de mentalidade no exercício das profissões, nas atitudes face à investigação, na colaboração diária. De tanto olharmos para a árvore, esquecêmo-nos de que há uma floresta e que nela há fontes inesgotáveis de ideias, de recursos humanos e materiais".

A intervenção de Maria José Sá-Correia concluiu com a afirmação de que "para pôr em prática" tudo o que dissera, e por pensar "serem ideias e caminhos a seguir", será necessário o apoio de toda a Escola, não se sentindo, porém, e a partir de agora, sozinha, uma vez que sabe poder contar "com a ajuda dinâmica e directa de dois jovens mestrados, a Doutora Maria João Amante" (vice-presidente) "e o Doutor Luis Menezes" (vogal), bem como de "outros que me incitaram a aceitar este cargo "oferecendo" o seu apoio crítico.

A sessão foi encerrada pelo senhor Presidente do ISPV, Professor-Doutor João Pedro Barros, que centrou as suas palavras em torno da responsabilidade profunda do Conselho Científico, órgão central de uma Escola Superior, relativamente a duas questões hoje decisivas na vida das instituições de educação e da sociedade no seu sentido mais amplo - a da qualidade e a da cooperação.

SUMÁRIO