Reunião das Escolas Agrárias

A Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV), teve o privilégio de organizar e acolher, no passado dia 24 de Novembro de 1998, a segunda reunião do ano das Escolas Superiores Agrárias do país, na qual os intervenientes se propuseram realizar uma reflexão sobre diversos aspectos específicos e característicos destas instituições, apesar dos assuntos agendados incidirem particularmente nos seguintes domínios:

1 - Avaliação do impacto dos novos cursos bi-etápicos;

2 - Outros assuntos.

Os trabalhos, coordenados pelo Professor Doutor Dionísio Gonçalves, representante das Escolas Agrárias no Conselho Coordenador dos Politécnicos, contaram com a presença dos representantes dos órgãos de gestão de todas as Escolas Agrárias do país.

A Escola Superior Agrária de Viseu esteve representada pelo seu director, Dr. António Morais, encontrando-se também presentes os responsáveis pelas Coordenações das Áreas Científicas.

Após a abertura da sessão, que contou com as honrosas presenças do Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Viseu, Dr. António Soares de Sousa, e do Presidente do Conselho Directivo da Escola Superior de Tecnologia, Engº Fernando Sebastião, o Director da ESAV apresentou uma comunicação em que caracterizou a Escola, de forma clara e sucinta, desde a sua criação, em Dezembro de 1994, até ao presente, realçando as linhas mestras e os seus principais objectivos relativamente à pertinência dos cursos bi-etápicos de licenciatura ministrados, à formação pós-graduativa dos seus docentes, ao desenvolvimento de linhas de investigação aplicada com interesse para a região e às principais vias de intervenção da Escola no que respeita à prestação de serviços à comunidade.

Seguidamente, a responsável pela Área Científica de Agro-Alimentar apresentou, caracterizou e justificou o plano de estudos do Curso bi-etápico de Licenciatura em Engª das Indústrias Agro-Alimentares, que já abriu o seu 2º ciclo no presente ano lectivo.

Relativamente ao impacto da abertura dos cursos bi-etápicos de licenciatura, verificou-se que a maioria das escolas presentes criou licenciaturas que entraram em funcionamento no presente ano lectivo (1998/99). Não ofereceram cursos bi-etápicos de licenciatura, no corrente ano lectivo, as Escolas Superiores Agrárias de Beja, Elvas e Santarém, continuando assim, com os cursos de bacharelato.

Muito embora, a maioria das escolas optasse pela abertura das licenciaturas, constatou-se pelas intervenções dos seus representantes que existem algumas reservas quanto ao modelo de licenciaturas adoptado (cursos bi-etápicos). Sobre este assunto, a ESAV pronunciou-se como a única Escola a considerar o modelo bi-etápico de licenciatura, aquele que, eventualmente, mais se adequaria à filosofia global do Ensino Superior Politécnico Agrário.

Em relação ao preenchimento de vagas na 1º fase dos concursos de acesso ao Ensino Superior nas Escolas que ofereceram licenciaturas, admitiu-se que, aparentemente, houve um aumento significativo da procura por parte dos candidatos, em comparação com o ano anterior, quando, os cursos conferiam apenas o grau de bacharel. No entanto, ficou vincado nesta reunião que ainda seria muito cedo para elaborar uma avaliação objectiva e credível do verdadeiro impacto da abertura dos cursos bi-etáticos.

Nesta altura, o Presidente da mesa realçou a importância das Escolas Agrárias no Ensino Superior Agrário do país, as quais já detêm cerca de 5500 alunos, em relação aos cerca de 7000 que recebem esta formação nas Universidades.

As Escolas Superiores Agrárias terão assim de se confrontar com uma forte competição por parte das Universidades, e reconhece-se que se deva enveredar por uma só via para vencer tal desiderato: apostar na qualidade pedagógica e científica dos seus corpos docentes. A este propósito, o responsável pela Área Científica de Hortofruticultura da ESAV aludiu que também já era tempo de se promover uma cooperação e colaboração mais estreita, a todos os níveis, entre as diferentes Escolas, e que estas, unidas, falassem a uma só voz para o exterior sobre os assuntos comuns de âmbito geral, considerando, no entanto, que cada Escola deverá manter a sua autonomia e as suas especificidades, caminhando por si só, isto é, procurar fomentar a unidade entre a diversidade.

Para finalizar, e como consequência da responsabilidade acrescida das Escolas Superiores Agrárias, ficou também estabelecido que se deveria fazer um esforço no sentido de estas obterem a possibilidade de ministrarem estudos de pós-graduação aos seus docentes, permitindo aos Institutos Politécnicos conferirem diplomas de Mestrado e de Doutoramento, prerrogativas que lhes estão ainda vedadas por lei.

 

António Pinto

SUMÁRIO