TOMADA DE POSSE DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES DA

ESCOLA SUPERIOR AGRÁRIA DE VISEU (ESAV)

A primeira Associação de Estudantes da ESAV tomou posse no dia 18 de Novembro de 1997 num dos anfiteatros da Escola Superior de Tecnologia (ESTV). Presidiu à cerimónia o presidente do ISPV, professor-doutor João Pedro Barros, ladeado na mesa pelo director da Escola Superior Agrária, Doutor António Morais, pela senhora representante do presidente da C.M.V. e pelo presidente da associação, José Manuel Matias.

Questão central nas intervenções dos três dirigentes académicos, a inexistência de instalações próprias da ESAV, unidade orgânica do ISPV. António Morais salientou e agradeceu a excelente política de co-habitação existente entre a ESAV e a ESTV, sublinhando que urge resolver as questões da instalação já que em jogo está o "próprio desenvolvimento sócio-económico da região".

Para João Pedro Barros, torna-se "imperioso" que o problema das instalações seja resolvido, adiantando que se prevê essa concretização "a breve prazo". Por sua vez, José Manuel Matias lamentou estar-se em presença de uma situação "que se arrasta há já três anos", afirmando "não estar fora dos horizontes" dos estudantes manifestar publicamente o seu descontentamento reivindicando a escola que não têm.

 

INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES

Após a saudação à mesa e à assistência, o presidente eleito, o primeiro na Escola Superior Agrária do ISPV, afirmou ser a cerimónia da tomada de posse "mais um marco na vida da Escola, a qual, com um funcionamento organizado, eficiente e com o empenho de todos aqueles que a integram vai levando o seu barco a bom porto".

Referindo seguidamente a estruturação organizativa representativa dos alunos da ESA, "visando fins científicos, culturais e profissionais", José Manuel Matias afirmou ter a Associação de Estudantes pela frente "uma missão difícil, um duro caminho a percorrer", e que, por serem os primeiros a ser eleitos, estarão "mais expostos", tudo o que fizerem indo ser "apontados positiva ou negativamente", sendo esse "o preço a pagar pelo facto da Escola Superior Agrária de Viseu não ter tradições associativas".

E o dirigente associativo prosseguiu:

"Como Presidente da Direcção desta Associação, quero manifestar desde já a minha total disponibilidade, bem como a de todos os membros da mesma, para a resolução de qualquer questão ou discussão, de qualquer alternativa, de ideias ou projectos credíveis, salvaguardando os interesses de todos nós e da Escola.

O presente ano lectivo afigura-se pleno de lutas dos estudantes e principalmente para os Agrários de Viseu. Desde logo a das propinas e, em especial, a das futuras instalações da Escola Superior Agrária de Viseu pelas quais esperamos há anos. Segundo a opinião pública, em fins de Dezembro de 97, principios de Janeiro de 98, estará encontrada uma solução. Assim o esperamos! Mas só de uma forma unida e com o empenho de todos nós, é que se conseguirão ultrapassar todas as dificuldades e alcançar os nossos objectivos".

No termo da sua intervenção, o presidente deixou um apelo da Associação para todos quantos trabalham e aprendem na Escola no sentido de continuarem a dar "o seu melhor para que esta cresça cada vez mais, de modo a que os seus objectivos sejam atingidos no mais curto espaço de tempo", e aproveitou a oportunidade para manifestar os agradecimentos pelo apoio e colaboração prestada por dois colegas já diplomados" que designou como "pessoas fulcrais para o surgimento da Associação" - os senhores engenheiros Elton Paraíso e Eduardo Brites.

 

INTERVENÇÃO DO DIRECTOR DA ESAV

No início da sua intervenção, o director da ESAV deu os parabéns a todos os estudantes da instituição, referindo que os Estatutos da Associação de Estudantes haviam sido aprovados em Assembleia Geral de Alunos em 12 de Novembro de 1996, reconhecidos oficialmente, na sequência da sua publicação no Diário da República n.193 de 22 de Agosto passado, e que constituíam um documento resultante do trabalho de uma Comissão Instaladora, presidida por Eduardo Brites, cuja boa vontade e perseverança conduziram a uma cerimónia que a todos apraz. E António Morais prosseguiu:

"Não temos dúvidas que a hora é de regozijo, mas também acreditamos que estamos a dar início a uma nova fase na vivência da Escola e que a sua afirmação passa pelo contributo daqueles que desde a primeira hora viram nesta Instituição do Ensino Superior Agrícola desta vasta região beirã uma pedra basilar para a revitalização de um sector da economia que há tempo de mais não tem sido olhado com a devida atenção.

O que é uma Escola Superior Agrária?

Elas são o resultado da maior alteração introduzida no ensino superior agrícola: a criação do subsistema de ensino politécnico nos anos 80. Em 1981 entraram em funcionamento as três primeiras Escolas Superiores Agrárias - Santarém, Coimbra e Castelo Branco, as duas primeiras, produtos da reconversão das Escolas de Regentes Agrícolas ali existentes.

A sua missão fundamental foi, e continua a ser, a criação de cursos com a duração de três anos, de características profissionalizantes, que garantam aos seus diplomados uma melhor inserção no mercado de trabalho.

A criação do Ensino Superior Politécnico teve em vista o desenvolvimento sócio-económico das regiões onde ele se localiza, para o que foram criadas Escolas Superiores Agrárias nos centros das regiões onde a Agricultura e a Floresta contribuem significativamente para o produto nacional.

Pretendeu-se, desta forma, modernizar e reestruturar o sector agrícola, bem como corrigir desigualdades regionais, inclusivamente no que respeita ao acesso ao ensino superior, facilitando a fixação de técnicos, contribuir para o estudo e resolução de problemas locais e para a melhoria do nível cultural das populações.

Além da Escola Superior Agrária de Viseu, o país dispõe actualmente de mais sete Escolas Superiores Agrárias, nomeadamente em

- Beja,

- Bragança,

- Castelo Branco,

- Coimbra,

- Elvas,

- Ponte de Lima e

- Santarém.

A Escola Superior Agrária de Viseu (ESAV) é a mais nova das Escolas Integradas do Instituto Superior Politécnico de Viseu e também uma das mais recentes Escolas Superiores Agrárias do País.

Implantada numa região dotada de reconhecidas potencialidades no sector primário, foi aqui que nos finais do Séc. XIX se instalou uma das primeiras Escolas Agrícolas. Actualmente, de entre as suas potencialidades, sublinham-se as seguintes:

Avicultura - nascida por volta dos anos 60, quase espontaneamente, cresceu depressa, constituindo hoje cerca de 43% da produção nacional de frango de carne - "broiler" (INE, 1993), com um volume aproximado de cerca de 55 milhões de frangos/ano.

Bovinicultura - Dotada de uma riqueza natural expressa pela presença significativa de raças autóctones como a Mirandesa e a Arouquesa, as quais já originaram o reconhecimento oficial de um produto alimentar com Indicação Geográfica - "A Vitela de Lafões".

Caprinicultura - Com raças autóctones de qualidade, originando vários produtos de reconhecido mérito, como é exemplo o caso do "Cabrito da Gralheira", Indicação Geográfica.

Ovinicultura - de tradição muito enraizada na região, originando actividades em várias vertentes, mas com o seu expoente na produção do afamado queijo "Serra da Estrela".

Hortofruticultura - Com uma das mais extensas áreas florestais do País, Viseu (região) também denota potencialidades indiscutíveis na Vertente Frutícola, na qual sobressaem pelo seu interesse económico a "Maçã da Beira Alta", a maçã "Bravo de Esmolfe", a "Pêra Passa de Viseu" e tantas outras.

Destaca-se ainda na Vitivinicultura, com lugar cimeiro a nível nacional, pela produção de vinhos de grande qualidade como o "Vinho do Dão".

Obviamente que mais razões e produtos haveria para colocar a Região de Viseu como uma das mais sérias candidatas à denominação justa de Solar dos Produtos Tradicionais de Qualidade da Beira Alta.

A ESAV nasceu oficialmente em Dezembro de 1994, tendo o seu percurso sido iniciado em 1991 pela mão do Prof. Doutor João Pedro Barros, actual (e já na altura) Presidente do Instituto Superior Politécnico de Viseu (ISPV), que reuniu à sua volta uma equipa de técnicos, a qual realizou um levantamento exaustivo dos recursos naturais e humanos na região. Desse estudo resultou o documento "Viabilidade da Implantação de uma Escola Superior Agrária em Viseu" (Barros et al., 1991).

Este documento fundamentou quase de imediato a criação do Curso de Bacharelato em Engenharia das Indústrias Agro-Alimentares, com início no ano lectivo de 1993/94. Em 1996 diplomaram-se 26 bacharéis com aquela formação.

Além do anterior, a ESAV confere o grau de bacharel em Engenharia Hortofrutícola, com o seu início no ano lectivo de 1995/96 e em Engenharia Zootécnica, o mais recente (1996/97).

Frequentam actualmente a Escola cerca de 300 alunos, competindo a responsabilidade pedagógica a um corpo docente de 22 professores, embora a quota atribuída este ano se tivesse fixado em 29 docentes. Para apoiá-los na ligação às áreas da concretização prática das variadas vertentes teóricas conta com a preciosa mas ainda insuficiente ajuda de dois encarregados de trabalho. No sector administrativo fazem-se autênticos milagres com as duas funcionárias na Secretaria, neste momento em aguerrida competição por um espaço que, cada vez mais, vai sendo inexoravelmente ocupado pelo crescente volume processual. Para terminar este capítulo, uma palavra de apreço para as duas funcionárias auxiliares que, entendendo logo desde o início as dificuldades do arranque da nossa Escola, se tornaram mais do que multifacetadas: são pau para toda a colher.

A Escola Superior Agrária do Instituto Superior Politécnico de Viseu norteia-se por um conceito pedagógico conducente à formação de técnicos habilitados a saberem procurar e executar soluções nas suas áreas de formação, nomeadamente na Engenharia das Indústrias Agro-Alimentares, na Engenharia Hortofrutícola e na Engenharia Zootécnica.

No sentido de proporcionar aos seus diplomados uma "ferramenta" adequada às necessidades agrárias regionais e nacionais, a ESAV procura, por via das suas actividades curriculares e extra-curriculares, estar em contacto muito próximo com a rede empresarial do sector.

Além do "sentir" permanente da evolução da economia primária nacional, tem como principais objectivos contribuir significativamente para a adequação das potencialidades endógenas do país às prioridades comunitárias europeias, bem como a cooperação estreita com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, por via de uma recíproca investigação aplicada nas áreas da sua intervenção.

Ainda na área da investigação, todos os seus docentes se encontram a desenvolver projectos (parte deles já concluídos) privilegiando não só a viabilidade prática e económica no campo científico da vertente tecnológica mas ainda na procura de meios pedagógicos mais eficientes.

Instalações Físicas

Embora os variados e constantes contactos que ao longo do ano lectivo de 1996/7 se levaram a cabo no sentido de sensibilizar as respectivas entidades tutelares para a necessidade premente que a ESAV tem de encontrar espaços próprios para responder cabalmente aos objectivos dos seus programas curriculares lamenta-se que, até ao momento, não tenha havido resultados práticos.

É indiscutível que o Curso de Engenharia das Indústrias Agro-Alimentares não tem grandes solicitações, para além das que exigem a existência de dois laboratórios devidamente apetrechados com o equipamento essencial à prossecução dos trablhos práticos daquele sector;

Não se coloca em causa a capacidade criativa e empenhada dos docentes do Curso de Engenharia Hortofrutícola para levar os seus alunos aos locais e estabelecimentos onde se processam e manipulam os produtos que irão fazer parte do dia-a-dia dos futuros técnicos que na ESAV pretendemos formar;

Também não será difícil em espaços laboratoriais transmitir imagens anatómicas e fisiológicas dos diferentes órgãos animais, bem como os quadros da evolução genética aos alunos do Curso de Engenharia Zootécnica, porque para tal já se encontram à disposição meios didácticos sofisticados que imitam de forma extraordinária o "real";

Mas somos obrigados a reconhecer que nada pode substituir o contacto directo e total com o objecto de estudo e, fundamentalmente nas áreas que estamos apostados em enriquecer na nossa região, é forçoso que haja acompanhamento da evolução dos processos de produção e dos de transformação.

Todos entendemos que os meios tecnológicos colocados ao nosso dispor permitir-nos-iam formar teoricamente técnicos diplomados nas respectivas áreas atrás mencionadas. Ninguém poderá pôr em causa as metas economicistas aqui em jogo. Mas será muito difícil à Escola Superior Agrária de Viseu atingir conscienciosamente a sua principal razão de existir: a formação de técnicos voltados para o mostrar como se faz fazendo e nunca para a formação de técnicos de ensino. No mínimo, seria aberrante e contrário à filosofia da Escola.

Terminando este ano o primeiro ciclo pedagógico do Curso de Engenharia Hortofrutícola, e tendo no horizonte o último ano do Curso de Engenharia Zootécnica (para o ano lectivo de 1998/99), não mais será possível adiar medidas conducentes à aquisição de espaços que permitam a realização e concretização dos programas de formação previamente estabelecidos e superiormente aprovados.

Deixa de ter sentido defender reestruturações no sector agrário para que a Agricultura Portuguesa possa competir externamente quando a formação a nível local e regional, não sendo uniformemente tratada, não é devidadente entendida e, por tal, não é apetrechada em conformidade.

E acrescentaríamos que os objectivos fundamentais da ESAV só se poderão alcançar e ir ao encontro do Programa do Governo desde que se coloquem à dispoção do ISPV, e por este à disposição da Escola, os meios necessários à prossecução daqueles.

Mas não será porventura por falta de capacidade reivindicativa que a ESAV, ao chegar o fim do ano de 1997, e não se vislumbrando soluções concretas para a sua maior insuficiência, que pública e continuamente se têm apresentado até à exaustão pelos mais destacados responsáveis governamentais e políticos, se quedará desconfortavelmente em casa que não é a sua, até já não ser aceite como um par, mas antes como um parente inoportuno e eventualmente pouco desejado".

O director da ESAV concluiu a sua intervenção com palavras de apoio à Associação de Estudantes:

"Ao José Manuel Matias e à sua equipa, aqui fica a garantia de um apoio inequívoco para todas as acções que promovam a ESAV em particular e o ISPV por continuidade, como o edifício do Ensino Superior Politécnico de que, por direito próprio, fazemos parte integrante.

Cumpre-me então, por fim, em meu nome pessoal e em nome de todo o Corpo Docente, bem como do pessoal não docente, reiterar os votos das melhores concretizações para a primeira Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária de Viseu, esperando sinceramente que tenham a capacidade de marcar de forma bem vincada o percurso não só para o período de vigência do seu mandato, mas deixar o embrião da defesa ponderada mas intransigente de toda uma Escola que será sempre vossa."

 

INTERVENÇÃO DO PRESIDENTE DO ISPV

É com grande júbilo que participo, como Presidente do Instituto Politécnico, na tomada de posse da 1. Associação de Estudantes da Escola Superior Agrária integrada no Instituto Superior Politécnico de Viseu.

Este acto, que se reveste do maior significado institucional e académico, simboliza o querer e a pertinácia dos que como nós pensam da necessidade de uma Escola Superior Agrária vocacionada para apoiar todos quantos na nossa região se dedicam à importante tarefa da agricultura.

Lamentamos profundamente que as políticas equacionadas no nosso distrito, no que concerne à Escola Superior Agrária e, eventualmente, a outras áreas científicas, não sejam as que mais interessam ao desenvolvimento e progresso desta importante região do País.

Mais uma vez servimo-nos desta oportunidade da posse da vossa Associação para vos manifestar toda a nossa disponibilidade e empenhamento para continuarmos a lutar pela vossa Escola e pela sua instalação com a dignidade que se exige a uma unidade orgânica do nosso Instituto Politécnico.

 

ÓRGÃOS E MEMBROS DIRIGENTES DA 1. ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES DA ESAV

ASSEMBLEIA GERAL

Presidente: Paulo Jorge Aguiar Pereira

Vice-Presidente: Marco Paulo Ferreira da Silva

1. Secretário: Marta Isabel Santos

2. Secretário: César Fernendes Pereira

DIRECÇÃO DA ASSOCIAÇÃO DE ESTUDANTES

Presidente: José Manuel Lourenço Matias

Vice-Presidente: Luis Manuel Lopes Rodrigues da Silva

Secretário: Paulo José Pereira Nunes

Tesoureiro: Paulo Jorge Cordeiro Borges

Coordenadores do Dep. Desportivo:

- João Miguel de Campos Henriques

- José Ricardo Leandro Rebelo Cabral de Almeida

Coordenadores do Dep. Cultural:

- Alexandra Filipa Baptista Oliveira

- Sofia Galveias Aquino

Coordenadores do Dep. Reprográfico:

- Maria Aparecida Baptista da Silva

- Nuno Miguel da Conceição Rainho

Coordenadores do Dep. Pedagógico:

- Célia da Assunção Costa

- Filomena de Freitas Lopes

CONSELHO FISCAL

Presidente: António José de Almeida Pedro

Secretário: Ana Cristina Bernardo Gonçalves

Relator: Paulo Diego Ferreira de Carvalho

SUMÁRIO