O que vamos fazer
O novo ano letivo será, todos o desejamos, um
ano de retorno gradual à normalidade.
Esperamo-lo porque todos já tomámos a medida
pesada dos efeitos nefastos na economia do
confinamento a que nos vimos forçados. Porque
já igualmente aquilatámos as insuficiências dos
processos mitigados de ensino-aprendizagem a
que fomos forçados. Esse retorno gradual
traduzir-se-á na retoma das atividades
presenciais, tal como foi estabelecido
politicamente, sem prejuízo duma avaliação
permanente das condições que, em cada
momento, se forem consolidando, fazendo com
que sejam reavaliadas as medidas de
contingência mais adequadas por forma a
preservar o bem maior que é a nossa saúde
individual e colectiva.
Há fundados receios, no momento em que se
escrevem estas linhas, que o retorno esteja a ser
demasiado rápido. Teremos, por isso, de ser o
mais cautelosos possível na aplicação das medidas
constantes no Despacho n.º 55/2020, em
particular a utilização de máscaras, a lavagem
frequente das mãos, a desinfecção dos locais
fechados utilizados e o distanciamento social,
chamando à participação a população jovem, que
partilha a responsabilidade de evitar a
transmissão do vírus aos mais idosos e aos mais
vulneráveis.
Faremos adaptações imperativas de tempo, de
espaços letivos, de trabalho e de desdobramentos
de regimes.
Não haverá recuperação da actividade económica
sem uma gestão efectiva da pandemia. Economia
e saúde terão de andar de mãos dadas.
Mas também é importante recuperar o contacto
com a natureza, com o desporto, com a cultura.
Há, de par com um risco imunológico, um risco
sociológico, de contornos ainda indefinidos, que
não se limita à simples actividade laboral e aos
contornos preocupantes de actual precariedade.
O conhecimento é um sinónimo de resultados
adquiridos com uma abordagem racional. É para
isso que a nossa natureza, se não natureza,
função, nos convoca: para uma aproximação
racional à realidade. O que fazemos enquanto
instituição de ensino superior é facultar e facilitar
o acesso ao conhecimento.
É essa razão, neste momento, que nos vai permitir
desempenhar o nosso papel mais importante, não
entrando em maniqueísmos ou outras
aproximações grosseiras à realidade.
Não ignorando, simultaneamente, antes melhor
conhecendo, todas as ameaças, reflectindo sobre
elas, sopesando-as, com razão, pois só desse
modo nos conseguiremos proteger melhor.
Tomando as melhores decisões, baseando-as em
evidências e melhores práticas e conselhos, para
que, desse modo, possamos retornar, retomar o
mais e melhor possível, as nossas atividades, as
nossas funções, a nossa vida, individual e
colectiva.
Somos convocados para evitar um novo
confinamento. Ao nosso nível, devemos
sensibilizar a população jovem da nossa
comunidade para que respeite e convide a
respeitar as medidas de protecção definidas e
difundidas, por forma a evitar a propagação do
vírus à população mais idosa e mais vulnerável.
Nesse sentido, lançaremos uma chamada de
candidaturas/call destinada à comunidade
estudantil para que, fazendo uso das formas
próprias de comunicar, apresente propostas de
campanhas de sensibilização dos jovens
assintomáticos, com o objectivo de alertar, de
forma consequente, uma população alargada para
a necessidade de não propagar o vírus, nem aos
seus pares, nem aos mais idosos, desse modo
contribuindo para o progresso do país. O
abrandamento económico tem, como já vimos,
um impacto económico rápido no (des)emprego
jovem. Também aqui, o altruísmo pode dar a mão
às preocupações materiais.