Mensagem
O que vai ser o nosso futuro?*
No final do presente mês de setembro chegar-se-á, para a grande maioria das atividades, ao final dum
ano letivo indelevelmente marcado pelo surgimento da pandemia Covid-19.
Face a uma intempestiva mudança de processos e rotinas, o Politécnico de Viseu foi capaz de enfrentar
as dificuldades com dinamismo e solidariedade.
Este setembro (que é, simultaneamente, o final dum processo e o início de outro), tem, em alguns
casos, modificações. Em outubro vão também chegar os novos estudantes. Queremos contar-lhes como
foi.
O que fomos capazes de fazer
Na sequência da aprovação do Plano de
Contingência, a 6 de março, e da suspensão das
atividades letivas presenciais, a 11 do mesmo
mês, estudantes, professores e dirigentes
demonstraram compreensão, resiliência e
criatividade, em colaboração estreita com
técnicos, profissionais, administrativos e
académicos, na pida criação de novas condições
para novos processos.
Existiram atividades não-presenciais nos domí-
nios do ensino-aprendizagem, do tratamento de
processos administrativos, do teletrabalho, das
reuniões de ris de concursos para docentes e
bolseiros, assim como na realização de projetos.
Mas existiram tamm as medidas de apoio aos
estudantes, a colocação de meios informáticos
nas residências, o acesso remoto aos diferentes
computadores, o assegurar refeições aos mais
carenciados, a assisncia aos que manifestaram
vontade em regressar dos seus Erasmus, as
teleconsultas dicas e de apoio psicológico, as
bolsas criadas para as ões de voluntariado nos
hospitais, nos lares e nos centros de saúde.
Na resposta às solicitações da comunidade,
houve a disponibilização de quartos nas residên-
cias para profissionais de saúde em contingência
familiar, com oferta de refeições em regime de
take-away, de equipamentos laboratoriais para
aumento da capacidade instalada na realizão de
testes de diagnóstico, do parque de estaciona-
mento para a receção de amostras, para além da
criação de uma bolsa de informáticos para apoio
às equipas do Centro Hospitalar Tondela Viseu e
da troca de informações e colaboração estreita
com a autoridade concelhia de proteção civil.
Como foi amplamente noticiado, foram
produzidos, em menos de duas semanas, dois
protótipos de ventiladores intrusivos, como
resultado da colaboração com dicos do CHTV,
com empresas (com destaque para o material
oferecido pela Siemens, Schneider, PSA) e com
liderança de técnicos e docentes do nosso
politécnico, segundo as normas em vigor no Reino
Unido, dada auncia de normativos equivalentes
nacionais. Foram produzidas pro-bono, por
técnicos, alunos e ex-alunos, mais de 2000
viseiras, distribuídas por IPSS e fazendo face às
nossas necessidades.
A submissão de projetos aos diferentes regimes
não parou, destacando-se as candidaturas em que
se criou e liderou, por duas vezes, um conrcio
nacional de politécnicos com vista à obtenção de
apoio ao desenvolvimento dos protótipos
referidos. Apesar do insucesso na avaliação da
FCT, o que motivou um protesto público (dos mais
de 160 projetos apresentados, apenas dois,
apresentados por um politécnico, foram
aprovados), e um pedido formal de informões
sobre a metodologia utilizada, o processo
continua e o balanço é extremamente positivo.
Os restantes projetos apresentados durante este
período, mais de duas dezenas, incidiram nas
mais diversas áreas, tendo sido apresentados por
docentes de diferentes escolas, envolvendo
diferentes áreas de conhecimento, em tipologias
de fronteira.
As escolas de verão foram igualmente uma
oportunidade concretizada no apoio aos
estudantes, que optaram por aproveitar os meses
de agosto, setembro e outubro para adquirirem
mais conhecimentos e, ao mesmo tempo,
beneficiarem duma bolsa da FCT. As oito escolas
receberam 120 estudantes, ultrapassando o
âmbito regional e facultando bolsas num valor
superior a 50.000 €.
Elas foram organizadas num curto espaço de
tempo, venceram os habituais obstáculos
burocráticos, acrescidos das imperfeições da
urgência, mas permitiram criar, de forma
abrangente a todas as unidades orgânicas,
diversas summer schools:: iniciação à investiga-
ção científica, agroecologia, economia circular,
impressão 3D, aplicações IoT, inclusão,
competências emocionais, mentoria e promoção
da literacia em saúde, com o rito a atribuir a
todos os docentes envolvidos na sua preparação.
A colaboração e participação de todos foi
exemplar: os serviços de seguraa e as
empresas de limpeza colaborando sempre que
solicitadas a intensificar e alterar os moldes em
que desenvolviam as suas atividades; os Serviços
de ão Social mantiveram a funcionar cantinas e
residências; os Serviços cnicos e de
Manutenção asseguraram as alterações
necessárias ao bom funcionamento de bens,
servos e equipamentos, em execução de tarefas
invisíveis mas essenciais do dia-a-dia.
Criada igualmente a 11 de março, a Comissão de
Acompanhamento, composta pelo presidente e
pela vice-presidente do politécnico, pelos
presidentes das escolas e pela administradora do
Serviço de Ação Social, analisou com regularidade
a situão, trocando informões, sopesando
cenários e decidindo medidas a tomar, quer de
natureza pedagógica, em termos de organização
de atividades letivas, quer em termos logísticos,
decidindo sobre reorganização e a reafectação de
espos e sobre a aquisição de diversos tipos de
EPIs, quer, ainda, em termos estudantis,
procurando a informação pertinente capaz de
facultar uma utilização eficiente dos espos
comuns frequentados pelos alunos, desde as
residências aos refeitórios e aos bares, dentro dos
condicionalismos existentes.
Play
Tudo isto só foi possível porque a comunidade do politécnico se
disponibilizou a colaborar entre si e com a comunidade envolvente,
criando novos laços e estreitando os existentes, em circunstância
e modos que, no momento e nas condições em que tiveram lugar,
serão perenes no tempo mas também constantes na proximidade.”
O que vamos fazer
O novo ano letivo será, todos o desejamos, um
ano de retorno gradual à normalidade.
Esperamo-lo porque todos tomámos a medida
pesada dos efeitos nefastos na economia do
confinamento a que nos vimos forçados. Porque
igualmente aquilatámos as insuficiências dos
processos mitigados de ensino-aprendizagem a
que fomos forçados. Esse retorno gradual
traduzir-se-á na retoma das atividades
presenciais, tal como foi estabelecido
politicamente, sem prejuízo duma avaliação
permanente das condões que, em cada
momento, se forem consolidando, fazendo com
que sejam reavaliadas as medidas de
contingência mais adequadas por forma a
preservar o bem maior que é a nossa saúde
individual e colectiva.
fundados receios, no momento em que se
escrevem estas linhas, que o retorno esteja a ser
demasiado pido. Teremos, por isso, de ser o
mais cautelosos possível na aplicação das medidas
constantes no Despacho n 55/2020, em
particular a utilização de máscaras, a lavagem
frequente das mãos, a desinfecção dos locais
fechados utilizados e o distanciamento social,
chamando à participão a população jovem, que
partilha a responsabilidade de evitar a
transmissão do vírus aos mais idosos e aos mais
vulneveis.
Faremos adaptações imperativas de tempo, de
espos letivos, de trabalho e de desdobramentos
de regimes.
Não have recuperação da actividade económica
sem uma gestão efectiva da pandemia. Economia
e saúde terão de andar de mãos dadas.
Mas tamm é importante recuperar o contacto
com a natureza, com o desporto, com a cultura.
Há, de par com um risco imunológico, um risco
sociológico, de contornos ainda indefinidos, que
não se limita à simples actividade laboral e aos
contornos preocupantes de actual precariedade.
O conhecimento é um sinónimo de resultados
adquiridos com uma abordagem racional. É para
isso que a nossa natureza, se não natureza,
função, nos convoca: para uma aproximão
racional à realidade. O que fazemos enquanto
instituição de ensino superior é facultar e facilitar
o acesso ao conhecimento.
É essa razão, neste momento, que nos vai permitir
desempenhar o nosso papel mais importante, não
entrando em maniqusmos ou outras
aproximões grosseiras à realidade.
Não ignorando, simultaneamente, antes melhor
conhecendo, todas as ameas, reflectindo sobre
elas, sopesando-as, com razão, pois só desse
modo nos conseguiremos proteger melhor.
Tomando as melhores decisões, baseando-as em
evidências e melhores práticas e conselhos, para
que, desse modo, possamos retornar, retomar o
mais e melhor possível, as nossas atividades, as
nossas funções, a nossa vida, individual e
colectiva.
Somos convocados para evitar um novo
confinamento. Ao nosso vel, devemos
sensibilizar a população jovem da nossa
comunidade para que respeite e convide a
respeitar as medidas de protecção definidas e
difundidas, por forma a evitar a propagação do
vírus à população mais idosa e mais vulnerável.
Nesse sentido, lançaremos uma chamada de
candidaturas/call destinada à comunidade
estudantil para que, fazendo uso das formas
próprias de comunicar, apresente propostas de
campanhas de sensibilização dos jovens
assintomáticos, com o objectivo de alertar, de
forma consequente, uma população alargada para
a necessidade de não propagar o vírus, nem aos
seus pares, nem aos mais idosos, desse modo
contribuindo para o progresso do ps. O
abrandamento económico tem, como vimos,
um impacto económico rápido no (des)emprego
jovem. Tamm aqui, o altruísmo pode dar a mão
às preocupões materiais.
Temos
a certeza de que os nossos estudantes nos vão surpreender.
O cenário que atravessamos atualmente veio
evidenciar a importância de procurarmos
constantemente soluções inovadoras nos
domínios da Educação. Não excluindo iniciativas
que venham a ser propostas pela tutela,
decidimos não esperar. Vamos sensibilizar os
centros de investigação (CIDEI, CISED e CIDETS),
para que mobilizem os seus investigadores e
participem neste esforço de adaptação e
modernização.
Como forma de apoio ao necessário processo de
resposta aos novos condicionalismos e como
oportunidade de melhorar os processos de ensino
aprendizagem, vai ser lançada uma
candidatura/call para projetos que se destinem a
implementar metodologias de aprendizagem
activa, com o fim de combater o insucesso escolar
e fomentar uma cultura de aumento permanente
da qualidade das formações, possibilitando ainda
o aperfeiçoamento e reconversão de
competências (up e re-skilling).
Do mesmo modo, para potenciar uma cada vez
melhor resposta às dificuldades que se avizinham,
que vão exigir, como nunca antes, uma
administração ágil e proactiva, vai ser lançada
uma candidatura/call para a apresentação
interna de projectos de simplificação e
modernização administrativa, onde se valorizará
a formulação de propostas transversais a toda a
comunidade académica.
Estes são alguns dos determinantes estragicos
prevenção da doença em toda a comunidade
escolar, inovão nos processos de aprendizagem,
valorização das competências e simplificação e
modernização administrativa para maior eficiência
que nos devem fazer reflectir sobre o modo
como podemos aproveitar a quantidade de
movimento criada com a pandemia para
continuar a dinâmica iniciada.
Estas candidaturas/calls terão financiamento do
Politécnico de Viseu e de entidades que se nos
associam e serão avaliadas por um ri composto
por membros externos do Conselho Geral,
dispondo dum mecanismo “fora de competição
para propostas relevantes em critério absoluto.
Serão significativamente bonificadas propostas
trans-versais e que envolvam parceiros europeus,
beneficiando (d)o processo em curso de prepa-
ração duma candidatura a uma Universidade
Europeia por nós liderada.
*O que vai ser o nosso futuro?
O nosso futuro é agora. É o que vamos conseguir construir juntos. Vamos fazer parte, vamos participar
no que ele venha a ser, com todas as nossas capacidades, toda a nossa vontade, todo o nosso engenho,
toda a nossa arte.
O Politécnico de Viseu es mobilizado para enfrentar qualquer eventualidade, es preparado para
encontrar soluções que lhe permitam continuar a cumprir a sua missão: o desenvolvimento da região e
do ps!
O Presidente do
IPV
João Monney
Paiva
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